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QUEM É PIOR, SADDAM OU BUSH?

 

Alberto Mesquita Filho

Este artigo foi postado no newsgroup uol.folha.mundo.guerra.eua_x_iraque, da Usenet brasileira, em 05 de abril de 2003 na thread "Reportagem da Veja", em resposta a Jorge Paim..

 

 

Jorge Paim escreveu

Espero que além de condenar (justamente) os americanos, os cidadãos desse país também passem a condenar o terror existente no Iraque.

Perfeito. Nenhum tipo de terrorismo é bem vindo. O problema é que estamos frente a uma realidade, a guerra eua_x_iraque, e creio que esse é o nome do grupo de discussão. Essa guerra representa uma agressão dos EUA a um povo outrora amigo e que se hoje é governado por um meliante, esse meliante foi fabricado e amplamente financiado pelos EUA para chegar onde chegou. Saiba que Saddam Hussein é cidadão honorário de Detroit, Michigan, EUA. O Bush está se utilizando da imagem de um Saddam que aprendeu a ser crápula com os antecessores de Bush, incluindo o seu pai. Esse Saddam a que você se refere, e que cometeu crimes incríveis com o seu povo, na época em que o fez era amicíssimo da Casa Branca e graças a essa amizade conseguiu armamentos de todos os tipos, inclusive aqueles censurados pela Convenção de Genebra. Acontece que nessa época era economicamente interessante aos norte-americanos manterem a população do Iraque sob o jugo de um assassino. Hoje, sob a farsa de estarem atrás desse ex-gangster da quadrilha dos Bushs, estão massacrando a mesma população que dizem defender. Esperam que o mundo aceite essa desfaçatez, esse genocídio, esse infanticídio, essa loucura do presidente de um país que vem demonstrando representar a escória da humanidade, pois que está pouco se lixando com a libertação de povo algum, mas tão somente em amealhar riquezas roubadas de países do terceiro mundo. EUA é um Império de Papel (dólar) e somente será rico enquanto os políticos e agiotas do resto do mundo valorizarem esse papel, pois suas riquezas naturais já foram quase que totalmente exauridas e a moral deste povo não vale hoje nem 10 cents de dólar.

Jorge Paim: Segue abaixo reportagem da VEJA. Certamente alguns, como sempre, vão dizer que tudo é mentira.

Bem, eu particularmente não tenho nada contra a Veja. Simplesmente não divulgo matérias da Veja em meu site porque elas perdem a validade em uma semana e os links acabam ficando inativos. Alguns aqui dizem que a Veja estaria a serviço de Bush, mas hoje em dia é muito difícil comprovar ou negar essa acusação, pois a imprensa mundial transformou-se num caos total, a partir da imprensa da escória do mundo. Somos todos uns desinformados e essa é a única verdade que a imprensa consegue nos passar.

Jorge Paim: A esses talvez somente as imagens das reportagens de Roberto Cabrini, ainda pelo SBT, no pós-guerra do Kuwait possa mostrar parte das atrocidades ali cometidas e que parece estar sendo "legitimada" por muitos por causa do histórico (também nada bom) dos EUA.

Pois é, ficamos com a meia-verdade, e em muitos casos seria melhor ficarmos sem nada. Enquanto a mídia estiver nas mãos do facínora e assassino internacional Bush, fica muito difícil saber se é verdade o que ele diz sobre o gangster que eles próprios criaram. Que o Saddam não presta eu não tenho a menor dúvida, pois do contrário ele não teria conseguido fazer parte da quadrilha dos Bushs, assim como o Bin Laden.

Jorge Paim: Lembro que o ditador Saddam Hussein já fez com que seu país entrasse em duas guerras meramente territoriais que levaram à morte uma quantidade estúpida de vidas humanas inocentes (estima-se em quase 1 milhão de pessoas).

Uma dessas guerras foi financiada pelos EUA, que na época transformou o Iraque na quarta potencia militar do mundo (obviamente, com lucros incríveis e roubados da população do Iraque). Quanto à outra (a primeira "guerra da mentira" ou do Golfo), ainda hoje estão morrendo kuwaitianos graças à utilização pelos EUA de armas proibidas pela Convenção de Genebra. Ou seja, eles invadem o Iraque, dentre outros motivos espúrios, porque o Saddam não está pagando royalties pela utilização de armas que os assassinos norte-americanos inventaram. Não sei se a Veja já noticiou algo desse tipo, mas são notícias que circulam o mundo e são aparentemente insuspeitas. Lembro ainda que a CNN, imprensa da coalisão, já confirmou que os EUA estão utilizando armas proibidas nesta guerra atual, inclusive químicas. A Veja já noticiou isso?

Jorge Paim: O mundo sequer deu importância ao fato. Todos pensam : "Isso é problema deles interno e lá mesmo se resolve", assim como muitos outros países africanos.

O mundo está repleto de problemas, mas ou confiamos na ONU ou tentamos protestar para que a ONU se modifique, e quero crer que esse grupo de discussão está evoluindo nessa direção, mas isso leva muito tempo e via de regra dá pouquíssimos resultados. O que não podemos é admitir que um crápula da pior espécie chamado Bush, presidente do país que mais matou inocentes em toda a história da humanidade, venha querer passar por justiceiro e guerrear em nome de Deus, a exemplo de Hitler, outro facínora, se bem que de porte bem menor do que o Bush, pois não dispunha da tecnologia atual.

Jorge Paim: É certo que os EUA são culpados pela criação de muitos desses ditadores, mas sobre eles ainda recai algum controle de racionalidade, pois é inaceitável (nos dias de hoje)  para a opinião pública deles qualquer ato que represente destruição em massa de civis inocentes.

A escória da humanidade (EUA) está pouco se incomodando com a morte de
inocentes. Isso é propaganda enganosa para inglês ver. Aliás, os inglêses já
estão com o pé atrás com respeito a essa escória, e só não voltam atrás
porque um inglês jamais admite que errou. Mas essa amizade não vai durar
muito tempo. Racionalidade dos EUA? Isso é piada. Esse povo só pensa em
dólar.

Jorge Paim: A questão agora é saber qual é menos pior para a humanidade.

Mandar o Bush para uma Corte Internacional de Guerra e a seguir para a guilhotina. Mas isso não acontecerá antes do facínora decretar a III Guerra Mundial, EUA × Resto do Mundo.

Nesse ponto, Jorge Paim reproduz a reportagem da Veja.

Não consegui ler a reportagem inteira (mais tarde irei ler no papel, pois sou assinante da revista). Pelo que vi, conta-se a história pela metade. Os filhos de Saddam aprenderam com o pai, que importou para o seu país a impunidade observada entre os facínoras norte-americanos. Aliás, o que os filhos de Saddam fizeram com a população de seu país difere muito pouco do que alguns militares brasileiros, que aprenderam táticas de tortura nos EUA, fizeram com milhares dos chamados "subversivos" dos anos da revolução militar. Eu tenho colegas de turma (medicina da Usp, 1968) que ficaram totalmente abobados e despersonalizados. Um de meus colegas está desaparecido até hoje. Nos anos 80 conheci pessoalmente alguns desses facínoras dos anos 60 e 70 e eles confirmavam com a maior cara de pau tanto o aprendizado nos EUA quanto a satisfação que sentiam ao torturarem universitários. Pois nessa época (anos 60 e 70) eu era um alienado, como muitos dos que aqui aparecem, e defendia essa corja de pretensos donos do mundo. Mas um dia eu acordei para a realidade e percebi que eu era um privilegiado. Como escrevi numa dedicatória (1993): "eu sou um 'privilegiado': tenho o privilégio de conviver com a miséria sem ser um miserável, como tenho o privilégio de usufruir da safadeza sem ser um salafrário." Foi então que comecei a batalhar com a única arma que disponho: a palavra.

[ ]´s
Alberto

 

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