From: "Alberto Mesquita Filho"
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Subject: Re: Perguntas e mais perguntas
Date: Thu, 17 Apr 2003 21:15:12 -0300
"kachaca" escreveu
Alberto, talvez fosse
interessante analisarmos o tema "boicote",
Olá, "kachaca"
O boicote no Brasil ainda é
uma criança e até bem pouco tempo a população mal conhecia seus possíveis
efeitos. Hoje alguns já estão se dando conta de que contamos com um
mercado bastante promissor, graças a nossa grandeza territorial e
populacional, e o boicote está começando a ser pensado como uma
"arma" útil. Por enquanto estamos ainda na fase do boicote simbólico,
praticado pelo consumidor e sem organização alguma. Nada contra, pois eu
acho que as grandes conquistas começam sempre de baixo para cima. Quero
crer que uma das grandes falhas do socialismo do século XX foi a sua
instauração de cima para baixo. Fala-se muito em assembléia, mas o que
testemunhei no Brasil dos anos 70 e 80 foi um assembleismo ingênuo, muito
no estilo de uma das frases de Rousseau, se bem que colocada num contexto
diverso: "O povo inglês crê ser livre, mas se equivoca
redondamente; só o é durante a eleição dos membros do parlamento; tão
logo são esses eleitos, ele volta a ser escravo, não é mais nada."
Esse assembleismo ingênuo também é coisa para inglês ver, pois apóia-se
sempre no que os donos desse falso socialismo querem que seja aprovado (táticas
espúrias de assembléias não verdadeiramente representativas).
Retornando ao boicote, diria
que o jovem brasileiro está se conscientizando de várias coisas, como o
valor potencial da medida, a importância de abandonar aquela atitude cômoda
de se subjugar ao paternalismo de Estado (comodismo, marasmo etc.), além
do que está percebendo que de fato a união faz a força. Isso é muito
bom mas não é nada que traga resultados imediatos, logo é importante a
manutenção de fóruns como este afim de manter a chama acesa. A guerra
do Iraque está no fim, e se o Bush possuir algum assessor com mais do que
três neurônios, muito em breve ele irá começar a promover por todos os
órgãos da mídia internacional a campanha de restauração da imagem. Se
ele não conseguir, outro presidente, quiçá "democrata",
acabará por tentar novamente nos iludir, até que novo
"republicano" fundamentalista volte com novas ameaças. Esses
"altos" e baixos foram típicos durante todo o século XX, e é
por isso que digo ser importante a manutenção da chama acessa. As vezes
eu passo por anti estadunidense, mas acho difícil defender uma população
que peca pelo crime de uma conivência com crimes bárbaros, se não na
totalidade, pelo menos em sua esmagadora maioria.
E aqui vai a minha
dica para incentivar a coisa...
-Como o empresario brasileiro pode usar o boicote aos usa como
instrumento de crescimento & oportunidade de investimento.
Você não poderia ter
escolhido um tema melhor. Eu tenho defendido muito o "boicote
inteligente" em outro news, o uol.politica.internacional.guerra e
essas minhas mensagens podem ser lidas a partir de http://ecientificocultural.com/guerra/msg01_05.htm#msg02
--até o momento estão em páginas web 5 msgs a respeito do que tenho
chamado "boicote inteligente". Essa idéia que venho defendendo
enquadra-se numa primeira etapa, a etapa do conhecimento, da conscientização
(não gosto muito desta palavra, pois foi muito deturpada no passado, mas
é o termo correto), da observação, da mensuração. Mas não vai muito
além disso, um mero boicote de consumidores e de pouco efeito prático,
ainda que sirva para assustar nossos adversários e para que saibam que não
estamos inertes.
Numa segunda etapa deveríamos
levar essa idéia aos pequenos empresários e comerciantes. Noto que
alguns pequenos comerciantes estão totalmente favoráveis a esse boicote
e não é difícil encontrar um ou outro dono de bar, por exemplo,
boicotando *a venda* de coca-cola, dentre outras coisas. Percebe onde
quero chegar? Pois é. Como disse acima as grandes conquistas começam de
baixo para cima. Que ninguém espere que os políticos facilitem esses
boicotes. Não, eles deverão perceber que nós não estamos dormindo no
ponto, e sim eles. Quando acordarem, ou estarão do nosso lado ou contra nós,
e neste último caso perderão as próximas eleições. Isso não é
assembleismo, isso é a imposição da nossa cidadania. Um verdadeiro
socialismo, a meu ver, começa por aí. Muitos socialistas poderão não
gostar do que vou dizer, mas o verdadeiro socialismo começa pela valorização
de nossas individualidades. Como diriam os orientais, o yang não triunfará,
a menos que saiba dividir o troféu com o yin. Individualismo e socialismo
são os antagônicos complementares da verdadeira dialética, a se
completarem não apenas na filosofia da práxis, mas também na da
"teorexis". A teoria da prática não será nada enquanto
desprezar a prática da teorização, e quero crer que Gramsci chegou a
dizer isso com outras palavras.
Quanto aos grandes empresários,
diria que eles apenas endossarão nossas conquistas quando verificarem que
nós não estamos contra eles e sim contra os maus estadunidenses. Lembro
ainda que o Brasil é um país imenso e em condições de assimilar e/ou
se associar a muitas empresas européias. Chega de unilateralismo. A
cultura brasileira, até os anos 60, era quase que 100% européia e não
creio que será muito difícil retornarmos a nossas origens. Afinal, o que
menos existe aqui são descendentes de estadunidenses ou, até mesmo, de
inglêses.
somente algumas
ideias, vamos ver no que da...
Bem, eu divaguei muito, mas
creio que não cheguei a fugir demais de sua proposta.
[ ]´s
Alberto