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Similaridades entre Campos de Velocidade
e o Campo Eletromagnético

1. Introdução
2. Cilindros Girantes
3. Plataformas Girantes
4. Discussão
5. Apêndices

 

 

2. Cilindros Girantes

O campo de velocidades de um cilindro girante de extensão infinita, imerso num fluido newtoniano, é dado pela equação de Navier-Stokes com as condições de contorno impostas. Sua solução estacionária para fluidos incompressíveis e de viscosidade constante (equação simplificada) está demonstrada no apêndice B. Pode-se obtê-la também de dados da literatura como um caso particular da solução para o viscosímetro de Couette, ou seja, com o raio do cilindro exterior do mesmo tendendo a infinito. Obtém-se então:

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(1)

sendo K constante, w a velocidade angular do cilindro, r1 seu raio e r a distância do ponto considerado ao eixo do cilindro (corresponde ao r do sistema de coordenadas cilíndricas). O campo é idêntico do ponto de vista geométrico, bem como analítico, ao campo magnético B produzido por um fio de corrente retilínea de extensão infinita:

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(2)

A expressão (2), obtida pela primeira vez por Biot e Savart em 1820, foi desintegrada por Laplace que chegou à expressão do campo produzido por um elemento de corrente ids (Locqueneux, 1989), expressão esta conhecida como lei de Biot-Savart, ou ainda, lei de Ampère-Laplace, e expressa atualmente por

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(3)

Adotando-se a postura de Feynman, citada na introdução, podemos então escrever:

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(4)

em que dv(r) seria o campo de velocidades de um elemento de cilindro (Notar que r, agora, representa uma medida em coordenadas esféricas). Mas o que seria tal elemento de cilindro? Obviamente, trata-se de uma entidade matemática, e não física, tal e qual o elemento ids da lei de Biot-Savart. É importante perceber que dv(r), dado por (4), não é o campo de um cilindro infinitesimal de raio r1, posto que a equação não leva em conta os efeitos de suas superfícies não laterais. E, com efeito, estas superfícies não contribuem para a expressão original (1). Tampouco é o campo de um anel, posto que não há também nenhuma contribuição da superfície interna. dv(r) é portanto uma idealização matemática do mesmo tipo que dB(r) dado por (3).

Se em eletromagnetismo é extremamente difícil, se não impossível, evoluir de um elemento ideal para o real (que no caso seria um elétron ou um conjunto de elétrons em movimento), em mecânica dos fluidos tal não se dá. É perfeitamente possível estimar-se os efeitos de um elemento real de cilindro de altura ds que gere um campo em consonância com a equação de Navier-Stokes. A tarefa pode não ser fácil, mas é possível. E não é fácil posto que a equação citada é não-linear, ou seja, o princípio da superposição, como regra, não é obedecido. De qualquer forma, vamos verificar no item a seguir o campo de um disco de raio r1 em rotação, qual seja, o campo produzido isoladamente pela superfície circular de um elemento de cilindro real.

Referências:

[5] LOCQUENEUX, R., História da Física, Publ. Europa-América, Portugual, 1989. Voltar