5. O elétron emissor de radiação eletromagnética
//////Ao passar do repouso para um estado de movimento
uniforme (translação ou rotação) o elétron sofre ou um impulso ou um torque, o que
significa dizer que durante certo tempo é submetido a uma aceleração. Sendo esta
aceleração constante, o elétron ficará sujeito a um aumento linearmente crescente de
sua velocidade (linear ou angular) e o efeito reflete-se numa modificação adaptativa do
teor de i.e.m. emitidas. A transição entre o campo primitivo e o novo campo a se
instalar é, portanto, gradativa. Esta zona de transição, comentada ao nos referirmos à
figura 2, tem espessura diferente de zero, é
proporcional à duração da aceleração e propaga-se pelo espaço na velocidade c das
i.e.m. Temos, então, um campo mutante como que a promover, gradativamente, a
transformação do campo primitivo no campo atualizado, este último a traduzir o novo
comportamento do elétron; e isto nada mais é do que a chamada radiação
eletromagnética.
//////Com grande freqüência constata-se, em
laboratório, que a radiação eletromagnética transporta energia. Ora, o que seria essa
energia? Seria algo além das i.e.m.? O campo eletromagnético contém energia?
//////A energia, em física clássica, nada mais é do que
um construto de alto nível a retratar o princípio da equivalência entre os fenômenos
naturais: "duas transformações equivalentes a uma terceira são equivalentes
entre si" (MESQUITA, 1993, capítulo V). O
caráter relativo da energia assim definida faz-se presente por toda a física clássica e
isto fica bastante nítido em mecânica, tanto na conceituação da energia cinética
quanto na conceituação da energia potencial; mostra-se um pouco confuso em
termodinâmica, pois retrata meramente uma equivalência entre calor e trabalho, jamais
uma identidade entre energia mecânica e energia térmica (MESQUITA, 1995b), o que nem sempre fica claro para o principiante; e
existe ainda a energia estudada em teorias clássicas de campo, a retratar também uma
equivalência entre transformações promovidas ora pelo campo, ora por processos outros,
jamais uma identidade entre a energia do campo e a energia mecânica. Enfim, é um
artifício que funciona e a traduzir uma possível identidade ou, então, a existência de
variáveis escondidas.
//////O campo, sem dúvida alguma transporta, como vimos,
informações a traduzirem-se por efeitos mensuráveis. Em determinadas condições
experimentais consegue-se demonstrar que os campos de algumas radiações
eletromagnéticas mostram efeitos a sugerir a aplicação do princípio da equivalência
acima enunciado. Estudaremos, nos itens a seguir, aspectos relacionados a alguns desses
efeitos, em virtude de relacionarem-se a um possível caráter mecânico-energético das
radiações eletromagnéticas.