From: Manuel Bulcão To: Alberto Mesquita Filho Subject: Re: O Tempo Proprio do Foton Date: Tue, 19 Sep 2000 22:20:45 -0300 Olá, Mesquita Nada contra você postar esse nosso bate-papo na Acrópolis. É nosso! :-) Aliás, todas as respostas minhas aos seus e-mails (sempre bem-vindos!) com suas respectivas réplicas, se você quiser pode mandar pra lá. Afinal, é desejável que uma boa discussão seja socializada. Neste momento estou lendo, com bastante interesse, o seu artigo "O fenômeno luz e as falácias relativas às relatividades". Oportunamente, comentarei. Aliás, quero manifestar-lhe o meu reconhecimento: mesmo desligado da "ciencialist", vez por outra dou uma espiadinha no seu banco de mensagens, e o faço, na maioria das vezes, para ler os seus e-mails. Gosto dessa sua maneira "abusada" de contestar o "estabelecido". Por enquanto, não concordo com algumas coisas que você defende, mas mesmo os seus "prováveis" erros parecem-me mais fecundos para a ciência do que os banais acertos de muitos físicos catedráticos. Você me lembra Goldschmidt, o teórico dos "monstros promissores", tese que os neodarwinistas da época, defensores de uma evolução gradual, combareram com aparente facilidade. Hoje, porém, a idéia central de Goldschmidt foi retomada pelos defensores da tese da evolução pontuada com base em mutações nos genes de regulação (Gould à frente), a qual vem ganhando mais terreno a cada dia. (se você não concorda com a teoria da evolução pontuada, por favor não se ofenda! :-)) Sobre a expressão "o tempo próprio do fóton", dois períodos da sua mensagem elucidaram-me o seu ponto-de-vista. São as seguintes: a) "Mesmo em teoria não sei se um fóton se prestaria a medir o tempo em seu próprio referencial, pois ele deveria apresentar algum movimento do tipo oscilatório, ou de giro, etc." [o que ele não tem.] De modo que b) "não faz sentido, pela teoria da relatividade, dizer que existe um referencial acompanhando um fóton." Vou "matutar" sobre isso. Depois eu lhe respondo. E, para finalizar: Alan Guth, o teórico do Universo Inflacionário, afirma que o espaço pode se dilatar (se estender) a uma velocidade maior que a da luz. O que não pode é um objeto com massa inercial se deslocar "no espaço" a uma velocidade igual ou superior à da luz (aproximadamente 300.000 km/s) O Universo seria como uma imensa bola de borracha cujo volume aumenta, e as galáxias, pontos aleatoriamente distribuídos sobre a superfície da bola. Como, quanto mais afastados forem os pontos, mais velozmente eles se afastam, então se a bola "Universo" for suficientemente grande, as galáxias mais afastadas podem muito bem estarem se deslocando, "em relação a nossa", a uma velocidade maior que a da luz. Mas não é a hipotética galáxia que está se afastando a esta velocidade: é o espaço que a separa da Via-Láctea que está se esticando. Depois escrevo mais. Um abraço, Manuel Bulcão