From: "Alberto Mesquita Filho" To: Subject: Re: [ciencialist] MOUSE-LER Date: Fri, 15 Sep 2000 03:50:27 -0300 http://www.egroups.com/message/ciencialist/5880 -----Mensagem Original----- De: "Claudio Abreu" Para: Enviada em: Sexta-feira, 15 de Setembro de 2000 00:07 Assunto: Re: [ciencialist] MOUSE-LER > Alberto, e demais amigos do Ciencialist, > Não fiquem se sentido menores por não poderem entender direito o que é o > Tempo. Afinal ele é o Quarto Uno do nosso Terno de Matéria-Energia a > ocupar o Espaço. E o Quarto sempre nos leva para o que está fora do nosso > controle, para o absurdo, para o inexorável... Lembrem-se que podemos > voltar ao mesmo lugar, mas não ao mesmo horário... Sinceramente, minhas preocupações com o tempo nunca chegaram a me tirar o sono, mesmo porque, a meu ver, não existe mistério nenhum no conceito de tempo. O tempo é parte de um todo e perde seu significado quando separado deste todo. Não digo que não se possa raciocinar em termos de tempo absoluto, pois a física newtoniana parte deste pressuposto. O que digo é que problemas relativos a absolutismo ou não absolutismo do tempo preocupa muito mais um físico moderno do que um físico clássico. Não por outro motivo, o livro "Tempo, o profundo mistério do Universo" foi escrito por um físico moderno. Como já disse, ciência e filosofia DEVEM andar de mãos dadas. Isto não significa em absoluto dizer que problemas filosóficos devem tirar o sono do cientista que tem os pés no chão. O bom cientista é aquele que sabe se utilizar da boa filosofia e sabe valorizá-la; e o mau cientista é aquele que se utiliza da má filosofia. Uma outra história muito parecida com esta relaciona-se ao problema de uma árvore cuja queda não teria sido presenciada por ninguém. Teria essa árvore promovido algum ruído ao cair? Isto é tão irrelevante quanto sonhar com gatos de Schrödinger. Ao filósofo trata-se de uma questão que faz sentido, dentro de sua maneira de pensar; ao cientista realista a árvore promoveu ruído e ponto final. A ciência não vai ganhar nada com discussões desse gênero, a menos que eles tenham algum significado analógico. Para o físico moderno talvez a analogia faça sentido. Para o físico a aceitar o realismo clássico o ruído da árvore e/ou a dualidade gato vivo/morto é tão importante quanto o passar do tempo; ora, se não existe observador, pensem o que quiserem e eu continuarei acreditando que a natureza existe independentemente de estarmos ou não a observá-la. Quanto ao tempo, ele passa independentemente de existir ou não o movimento. Não obstante, da mesma forma que não me interessam assuntos relativos a quedas de árvore não observadas, também não vejo interesse algum em dissociar o tempo do movimento. Costumo dizer então que a matéria ocupa o espaço e o movimento "ocupa" o tempo. O tempo começa a me interessar à medida em que consigo visualizar qualquer tipo de movimento. A partir desse instante, visualizo a física de Newton; antes disso não vejo nada melhor do que a filosofia Zen (que gosto muito, por sinal, mas dentro do "espaço" a ela destinado). Com respeito às quadras e aos ternos, eu não consigo ainda visualizar clareza em suas afirmações. Exemplifico: Muitas vezes vejo condições essencialmente ternárias como, por exemplo, a tríade ensino-pesquisa-extensão ou a tríade apresentada no Macrométodo Científico (que postei no artigo "A práxis científica" em 09/agosto/00 na ciencialist na figura 2 em anexo) ou, ainda, na tríade iluminista (igualdade, liberdade e fraternidade). Todas essas tríades admitem pares antagônicos, tendo-se portanto seis pares de Unos. Por outro lado, consigo também nestes casos, e com freqüência, encontrar o que acredito que você chamaria de Quarto Uno (e que a rigor seriam o sétimo e o oitavo). O Quarto Uno nestes casos seria ou um observador privilegiado e a conseguir interferir no sistema, ou algo equivalente (um código de ética, etc.), mas sempre externo ao sistema. Por exemplo, se pensarmos na Universidade teríamos as pró-reitorias de ensino, pesquisa e extensão e um Reitor (ou um Estatuto). Parece-me que em algumas tríades você assume a necessidade da existência de um Deus que teria um papel se não idêntico, pelo menos parecido. Em todos esses exemplos citados consigo visualizar uma tgbd dupla e, portanto, com oito Unos, e não quatro. Até aí, tudo bem. Poderia dizer que trata-se da quadra real e da quadra virtual, ou concreta e abstrata, ou positiva e negativa, ou yin e yang, etc., e a tgbd estaria meramente sendo duplicada pela minha valorização dos antagônicos a cada Uno. E vejo até mesmo uma certa coerência pois a própria tgbd estaria sendo bidualizada. Porém em outros exemplos não consigo ver as tríades como acima citadas, mas temos sempre uma quadra. Acima falei no Macrométodo científico e agora refiro-me ao Método Científico propriamente dito (figura 1 do artigo citado). O método científico é todo ele formado por quadras (quatro vias, quatro campos) e existe também o seu antagônico virtual, a que eu chamo de transcendental, e que também é formado por quatro vias e quatro campos virtuais (experiências de pensamento). De cada quatro destas vias e/ou campos, não consigo privilegiar um a fim de dizer que seria um Quarto Uno externo a uma tríade. Por outro lado, se no caso anterior posso tentar forçar a barra no sentido de encontrar um Quarto Uno a fim de justificar a tgbd, porque não deveria aqui fazer o mesmo, apenas que agora teria um Quinto Uno?!!! Como já disse em msgs anteriores (algumas em pvt) não estou pensando em destruir seus argumentos, apenas colocando-o frente a evidências que a meu ver não são fáceis de serem contornadas. E pelo que sei, de afirmações suas, você ainda não caracterizou definitivamente o Quarto Uno e portanto acredito que dúvidas como estas poderão ajudá-lo. Qual seja: O Quarto Uno é exterior a quê? Nas tríades apresentadas seria um elemento importante e a ser considerado? E nas quadras apresentadas, ele perde a característica de exterioridade? Por quê? > Alberto, acho que a quarta possibilidade para o Quarto Uno deverá vir da > análise do DNA, que tem uma estrutura bidual, conforme mostrarei num > próximo texto. Com efeito. Lembro ainda a existência de quatro bases (A, C, G, T ou U). Se eu estiver pensando em termos de bases tenho já uma quadra, como num dos casos exemplificados acima. Qual seria neste caso o Quarto Uno exterior, se o sistema em si já tem quatro Unos? Ou, por outro lado, em que condições o estudo do DNA comportaria tríades, a ponto de podermos pensar na existência de um Quarto Uno exterior? Bem, por hoje é só. Espero ter sido claro na exposição de minhas dúvidas e estou torcendo para que você me convença de que estou utilizando-me de algum raciocínio falacioso quanto à tgbd que, como já disse, conheço muito pouco. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm