From: "SMMT" Newsgroups: pt.ciencia.geral Subject: Re: Velocidade da luz... Date: 4 Oct 2000 12:49:51 +0100 > > Ver em camera lenta não é o mesmo que a luz ser lenta. > > Ver em camera rápida não é o mesmo que a luz ser rápida. > Não sei se estás a pensar numa câmara de filmar ou se estás a pensar na > verdadeira "realidade". > A "realidade" não é uma câmara de filmar. > Para ser mais preciso, o que eu digo é o seguinte: > - Ver a realidade de uma forma lenta é o mesmo que a luz ser lenta. > - Ver a realidade de uma forma rápida é o mesmo que a luz ser rápida Foi isto que quiz dizer. Exactamente. Mas ainda não vejo como podes fazer essa equivalência. > O que eu digo é que os dois observadores não vêem a realidade que se está > a passar com a mesma velocidade. > Nisto, penso que tu já concordaste. Ou não? sim. > Agora a questão é a seguinte: > Se não foi a velocidade da luz que variou, então o que é que variou? > Tu dizes-me que foi o tempo. Certo? sim. > > Ou seja, os intervalos de tempo para o observador na terra são > > diferentes dos do observador em movimento.(digamos que está numa nave , não me > > lembro se referias onde ele estava ) > Então, estás a dizer que o tempo para o observador em movimento passa > mais devagar, de forma a que os dois observadores vejam a realidade da > mesma forma (com a mesma cadência). Não. Não invariantes aqui. A cadêncioa é DIFERENTE e por ser diferente é que se conclui que os intervalos de tempo são diferentes. > Não pode ser. Aqui passa a haver um outro problema. Sim. Se assumes que a cadência tem de ser igual , coisa que não acontece e nunca me viste dizer que sim , então começas a ter outros problemas... > Porque é que se eu for a conduzir a 300 km/h vejo a "realidade" mais > depressa > do que se for a conduzir dentro dos limites de velocidade permitidos? > Porque é que o tempo não variou aqui? Variou sim. A variação da cadência temporal é muito pequena , mas o suficiente para ser diferente Matematicamente é desprezável uma velocidade dessas face a c =+- 3x10^8m/s e o factor gama é 1 ou seja t =T A resposta directa à tua pergunta é "Porque 300hm/h <<< c " ( <<< significa "muito menor que" ) e portanto gamma =1 . não sentes alteração pq é muito pequena... > A propagação da velocidade da luz é constante no meio em que ela se > desloca, mas a velocidade da luz que cada um dos observadores mede é diferente. > Ou seja, a velocidade com que cada um dos observadores vê a realidade é > diferente. A proposição " A velocidade com que cada um dos observadores observa a realidade é diferente" é perfeitamente aceite por mim. O que eu não entendo é pq assumes que "velocidade da 'realidade' = velocidade da luz " > Para mim é absolutamente claro que, se a velocidade com que cada um dos > observadores vê a realidade é diferente, Até aqui tb é claro para mim. > então a velocidade da luz que é > medida por cada um dos observadores tem se ser diferente. é este "então" que eu não compreendo. E ainda não me disses-te pq , na tua ideia, isto tem de ser assim. > > > O que está em questão é a velocidade medida por cada observador, que a > > > TR diz ser sempre igual, independentemente da velocidade do observador. > > > Essa é que é a grande questão. > > Vejamos... > > Na Terra > > Seja L a distância entre a terra e o centro da galáxia > > a luz demora T tempo a viajar de lá até cá. > > a velocidade é portanto c = L / T > > Na Nave > > A luz demora t tempo a atingir a nave > > Mas a distância percorrida não é L , é L-vt > > portanto a velocidade da luz é > Não podes fazer estas contas porque o observador em movimento não tem > maneira de medir distâncias. Isto é fisicamente incorrecto. Mas eu , observador externo ( em Andrómeda ) , tenho. Não é incorrecto , pq tu és um observador externo e podes fazer aquelas contas. Que as contas não sejam aquelas isso já é outra historia, e até concordo que possam estar erradas. Agora, que as podes fazer podes. Além disso , qq observador em movimento tem forma de medir distâncias já que temos que distância = velocidade * tempo A não ser que me digas que ele não sabe quanto é v. ok . mas ai o teu enunciado tb não faz sentido. ( Nota: se ele não pode medir distâncias, então tb não pode medir velocidades e portanto tb não pode saber a velocidade da luz no seu referencial ... ) > Não quero meter matemática no assunto. to late. já o fizes-te na 1ª apresentação :-) > Não posso tirar conclusões com base em resultados matemáticos se não > estiver perfeitamente claro o significado Físico de cada termo. ok. então onde tens duvidas... no t no v ou no L ? :-) Mas realmente tens razão. É preciso ter cuidado nestas coisas... eu próprio me enganei nos significados. tínhamos c' = c T/t - v com v = 0.5 c Eu escrevi que T/t = 0.5 mas na realidade é ao contrário , t/T = 0.5 , t = 0.5 T , o tempo na nave é metade do da terra. ( não respeitei a notação e depois enganei.-me no fim ) Portanto T/t = 2 c' = 2 c - 0,5 c = 1,5 c ou seja, parece dar o mesmo que te deu a ti. > O resultado está no enunciado original da seguinte forma: > Em 6 anos, o observador na Terra viu 6 "frames" e o observador a viajar à > velocidade de 0,5c viu 9 "frames". > Portanto, o resultado correcto é 9/6c=1,5c. hum... o observador move-se no sentido , digamos Terra-Galáxia , e a luz no sentido oposto. ||Terra ||-> v=0.5c c<-|| Classicamente V (A,B) = V(A,C) + V(C,B) sendo V(x,y)= - V(y,x) Portanto , V(observador , luz ) = V ( observador , Terra ) + V ( Terra , luz ) = V ( observador , Terra ) - V (luz, Terra ) Ou seja , V(observador , luz ) = 0.5 c - c = - 0.5 c Ou seja, ele vê a luz aproximar-se ( significado físico do sinal menos ) a uma velocidade 0.5 c (ele vê a luz mais lenta , mas as imagens a passar mais depressa , repara que isso é verdade se o intervalo de tempo aumentar) Relativisticamente V (A,B) = [ V(A,C) + V(C,B) ] / ( 1 + V(C,B)*V(A,C) / c^2 ) fazendo a mesma resolução que antes e sabendo que V(x,y)= - V(y,x) então V( observador , luz ) = ( 0.5 c - c ) / (1 - 0.5) = c (0.5- 1 ) / (1-0.5) = - c ( 1-0.5) / (1-0.5) = - c O observador vê a luz dirigir-se para ele ( significado físico do sinal negativo ) a uma velocidade c ( e com a dilatação simultânea do espaço e do tempo , c permanece constante . A diferença está em que, classicamente, o espaço permanece constante ) Isto tudo para dizer ,que nem clássica , nem relativististicamente se obtém 1.5c Isso seria assim , classicamente se a luz e o observador se movessem no mesmo sentido. Coisa que não acontece no enunciado. Contudo , pelas minhas contas anteriores (agora corrigidas) , dá 1,5... e pelas tuas tb ... ora , afinal por onde nos metemos ? > Exactamente, das duas uma, ou é a velocidade da luz medida pelo observador > que varia (não é a velocidade no espaço), ou é o tempo para o observador > que varia. > A TR diz que o tempo varia para o observador em movimento e diz que a > velocidade da luz medida por esse observador é c. sim. > Eu digo que para o observador em movimento a velocidade varia e o tempo > não varia. No fundo, é isto que o exercício que apresentei demonstra. Mas o que apresentas-te e que escreves-te mostra que concluis TAMBÉM que o tempo varia. Aliás é isso que concluis em primeiro lugar. E usas isso para dizer que a velocidade da luz varia , fazendo "diferente cadência temporal" = diferente velocidade da luz. > Muito bem. Vou por fim discutir a questão do tempo. > Tu dizes (e o Einstein também) que o tempo para o observador em movimento > passa mais devagar, de forma a que os dois observadores vejam a realidade > da mesma forma (com a mesma cadência = mesma velocidade da luz medida). Não. É aqui que está o bug. A cadência é DIFERENTE , isso significa que a realidade é vista de forma diferente. cadência destingue-se de velocidade , porque cadência não tem unidades físicas. 1 s/ s é cadência , 1 m / s é velocidade , 1 frame por segundo é velocidade Um cadência não pode ser igual a uma velocidade. A realidade é vista pelos observadores a ritmos diferentes , cadências diferentes No exemplo do vídeo, se eu o coloco em FFw a cadencia temporal altera-se e eu vejo o filme acontecer num intervalo menor. Vejo o filme em menos tempo pq acelerei (mudei ) a sua cadência temporal. Isto em nada se relaciona com a velocidade da luz. Eu pelo menos não vejo como. Portanto , Ninguém disse que os intervalos de tempo são diferentes pq a realidade tem de ser vista de forma diferente. Nop. O que se evidencia , por experiências conceptuais como a tua ou a do relógio na torre de Eisntein , é que a cadência temporal é diferente para objectos a diferentes velocidades. E , mas importante. Nunca ninguém disse que "com a mesma cadência = mesma velocidade da luz medida". cadência é : Tempo / Tempo. velocidade é Distância / Tempo. Aquela igualdade que escreves é Fisicamente não aceitável. E nunca eu , ou o Eisntein , disse isso. o que se constata é "velocidades diferentes em relação à fonte de luz <=> cadência diferente" > No fundo, tu estás a dizer que o observador em alta velocidade é mais > novo, ou envelhece mais lentamente do que o observador que está parado na Terra. > Isto é o "paradoxo dos irmãos gémeos". não , não estou a dizer nada disso. Para isso é preciso outro postulado , que para mim anda tem de físico. E que nunca foi testado. Eisntein postulou que "Todos os relógios se comportam da mesma forma , inclusive os biológicos" Eu não estou de acordo com o "inclusive os biológicos" Biologia ainda não é Física. ou virce -versa A Física não tem a variável "Vida" Isto pertence ao mundo a ficção cientifica. > (Desabafo: Com a TR não conseguimos sair dos paradoxos. Como é que eu vou > dar a volta a isto?) Não ha paradoxos nenhuns aqui. Os paradoxos são criados quando querem ser mais papista que o papa.... O único paradoxo que tem a dignidade de ser um paradoxo realmente paradoxal é "Eu estou a mentir" E este é quase tão velho quanto a humanidade. > Acrescento ainda que todo este cenário está a ser observado por um > terceiro observador situado na galáxia Andromeda, através de um telescópio. > Em 6 anos de tempo absoluto para o observador em Andromeda, Tempo próprio. É a designação normalizada para aquilo que chamas "tempo absoluto" > o observador na > Terra viu 6 "frames" do acontecimento e o observador viajando a 0,5c viu 9 > "frames" do mesmo acontecimento. > Portanto, para o observador que viaja a v = 0,5c o "frame rate" do filme é > 50% superior ao do outro observador na Terra. Ou seja, "frame rate" = > 1,5. A "realidade" teve 13 frames A terra observou 6 /13 e a nave 9 / 13 A unidade standard da terra ( tempo a uma cadência normal ) é portanto U= 6 / 13 e o tempo na nave é exactamente 9 / 6 U = 1.5 U Nave = 1.5 Terra ok. Mas repara que estas não fazem muito sentido ... Imagina que a nave estava parada em vez de em movimento , posicionada em T1, por exemplo. Paras os mesmos 13 frames , quando todos passassem em T1 , apenas 11 tinham passado na Terra. Fazendo os mesmos cálculos Terra = 11 / 13 , Nave = 13 / 13 = 13 / 11 U = 1.18 U Nave = 1.18 Terra o frame rate é mesmo assim diferente. E nem o tempo , ou a velocidade da luz são diferentes. > Há duas hipóteses: > 1 - A análise ponto-por-ponto que eu fiz e que demonstra que os dois > observadores não vêm a "realidade" no centro da galáxia com a mesma > cadência de acontecimentos. O observador em movimento vê a "realidade" de uma > forma acelerada, logo a velocidade da luz por ele medida é maior que "c", é > "c+v", ou seja, "c+0,5c=1,5c". não sei pq somas as velocidades , se elas se dão em sentidos contrários. > 2 - A hipótese da TR diz que ambos os observadores vêm a realidade com a > mesma cadência (nem mais rápido, nem mais lento) com a mesma velocidade "c". Nop. Ela diz que vêm mais lento ou mais rápido consoante a velocidade que têm é isso que significa a formula que escreves abaixo. E c é invariante > No entanto, para que isso aconteça o tempo para o observador em movimento > passa mais lento, sendo t' = t (1-v^2/c^2)^1/2 = 0,866 t. > Isto é a chamada "dilatação no tempo" da TR. Bom , assim seria contracção do tempo. :-))) Chama-se dilatação pq o referencial próprio é mais "independente" e parte-se desse para os outros. > Portanto, a "dilatação no tempo" relativistica não é suficiente para > explicar que os dois observadores vejam os acontecimentos com a mesma > cadência. Mas eles não os vêm com a mesma cadência !! > Ainda assim o observador a v = 0,5c vai relativisticamente ver > os acontecimentos de uma forma acelerada. Não é "ainda assim" é "de facto ele vê" > Portanto, o observador em movimento continua a medir uma velocidade da luz > superior. Certo? humm?! ... não . Qualquer observador , em qq referencial , mede o mesmo valor de c. Porque c é invariante. Isto é mais "forte" que ser constante > 2.ª QUESTÃO > Qual é o truque mágico que existe dentro da nossa Galáxia que faz com que > o os dois observadores vejam os acontecimentos com a mesma cadência de forma > a que possam medir a mesma velocidade da luz? Acho que o teu "problema" é igualares "cadência temporal"="velocidade da luz" E ainda não percebi , em que te baseias para afirmar isso. .. será um postulado ? :-)) > Enfim, isto é tudo uma grande confusão para a minha cabeça. > Por isto tudo é que eu digo que não há lógica nenhuma na Teoria da > Relatividade. humm... se a confusão é na tua cabeça, é a tua cabeça que não tem lógica... relativista... entenda-se :-) Claro que este tipo de lógica é .. como direi... relativa :-) mas , bolas ... se não servisse para nada , não era tão famosa... ou será que me engano ou pensar isso... ?! (p.s. viva as camisas do Einstein=mc^2 )