Subject: Re: Velocidade da luz... Newsgroups: pt.ciencia.geral From: Alberto Mesquita Filho Date: Fri, 06 Oct 2000 10:53:24 GMT "Luis Correia" escreveu > Alberto Mesquita Filho wrote > > Sim, temos um problema muito sério. E foi por isso que disse: > > Não há como entender o processo. Ou se aceita ou não se > > aceita. Ao aceitarmos optamos pela lógica matemática, > > deixando a lógica da natureza de lado. E é por isso que se > > diz que a relatividade de Einstein vai contra o senso comum. > Só vai contra o senso comum porque nós vivemos a velocidades que > pouco têm a ver com a da luz. Historicamente falando a coisa não é bem assim. A relatividade foi reconhecida por seu construtor como indo contra o senso comum pois não havia, na época, nada em que se apoiar para defender seus argumentos a não ser interpretar, de maneira fantasiosa, determinados resultados experimentais e/ou a justificarem outras teorias. Com o passar do tempo, e tendo em vista que a matemática relativística conseguia fazer previsões que se confirmavam (e que também iam contra o senso comum) a comunidade científica passou a adotar o "consenso comum" e a aceitar o esquisito como certo, criando-se então o que poderíamos quando muito, chamar de "um novo senso comum". Não obstante, esse "novo senso comum" tem mais o caráter de um juizo a apoiar-se em hipóteses "aceitas" como verdadeiras, mas não numa observação sensível e direta. > Poucas partículas têm o «privilégio» de se aproximarem o suficiente > para sentirem os efeitos da relatividade na própria pele. Têm uma > massa própria muito pequena e/ou são aceleradas com grande gasto de > energia. As «sensações» provocadas pela relatividade estão reservadas > para algumas partículas elementares. Nós limitamo-nos a medir os seus > efeitos, o que só por si é motivo de mais «estranhezas». Com efeito. Para saber, no sentido primitivo em que o termo "senso comum" foi empregado, se, ao viajarmos a "velocidades relativísticas", a relatividade satisfará ou não o "nosso" senso comum, precisaríamos antes atingir estas velocidades e não meramente observarmos as partículas que o fazem. Não há como extrapolarmos para o nosso senso comum a "sensação" das partículas, se é que podemos utilizar, num mesmo contexto, a expressão "sensação" para as partículas. > Só após medirmos a velocidade da luz (experiência de Michelson-Morley) > fizémos saltar a lebre. Historicamente a coisa também não se deu assim. A experiência de Michelson-Morley é anterior (1887) à relatividade (1905) e destinava-se na época a comprovar a existência do éter e não a medir a velocidade da luz. Sabemos que esta experiência, por si só, ou ao lado de mais de 10 experiências similares, é muito mais compatível com outras teorias da época do que propriamente com a teoria da relatividade de Einstein. E Einstein também estava ciente deste fato, tanto que jamais em toda a sua vida admitiu que apoiou-se na experiência de Michelson-Morley para desenvolver a teoria da relatividade. Alguns chegam mesmo a duvidar que em 1905 ele tivesse conhecimento da experiência, enquanto outros afirmam que Einstein teria confidenciado a amigos que tinha conhecimento da mesma, ainda que não a considerasse importante para seu intento. Einstein procurou apoiar suas idéias na eletrodinâmica de Maxwell, explicando as equações de Lorentz com base no eletromagnetismo. Para os que não sabem, o trabalho de Einstein tem como título "A eletrodinâmica dos corpos em movimento". O tempo passou e o "consenso" triunfou (ou o tapete entrou em ação), tanto que afirma-se que a experiência de Michelson-Morley é fundamental para justificar a relatividade, o que mesmo hoje dista bastante da verdade. > O próprio Einstein resistiu a algumas conclusões retiradas da sua > teoria e viu com horror o aparecimento da Mecânica Quântica tal como > Bohr e Planck. Não acredito que Bohr, em alguma etapa de sua vida, tenha visto a Mecânica Quântica com horror, mas o que dizes sobre Einstein e Planck é verdadeiro. Ao que parece Bohr teria visto com horror o não encontro de uma saída lógica para a mecânica quântica, isso no início dos anos 20. Aliás, dizem que nesta época Heisenberg, terrivelmente chateado com a situação, estava prestes a abandonar a física para dedicar-se integralmente à filosofia, quando teve o insight que o levou ao princípio da incerteza. A partir daí tudo ficou claro para Heisenberg e Bohr e totalmente obscuro para nós :-)) Quase ao mesmo tempo Schrodinger chegou a sua equação. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm Sent via Deja.com http://www.deja.com/ Before you buy.