From: Alberto Mesquita Filho Newsgroups: pt.ciencia.geral Subject: Re: Velocidade da luz... Date: 30 Sep 2000 20:06:27 +0100 "SMMT" escreveu ... > >(...)Não obstante, Newton deixou > > expressa a sua percepção a respeito da existência de "variáveis > > escondidas", algo somente suspeitado por seus seguidores alguns > > séculos mais tarde e, assim mesmo, como uma exclusividade restrita > > ao eletromagnetismo: a existência de potenciais retardados. > O que é isto dos potenciais retardados ? Os potenciais retardados foram descritos por Lienard e Wiechert no final do século passado, antes pois da teoria da relatividade de Einstein, e relacionam-se a uma correção relativística (no sentido clássico do termo) que deve ser efetuada aos potenciais eletromagnéticos (potencial elétrico e vetor potencial magnético) quando estudam-se cargas elétricas em movimento relativo. Pensemos numa carga "q" em movimento com velocidade v e ocupando o ponto P num instante t. [espero que a figura abaixo ajude na compreensão do fenômeno - Obs.: não sei fazer figuras em txt.] E seja um observador (pode ser outra carga "Q") em repouso no referencial do laboratório e ocupando o ponto L. Qualquer informação gerada pela carga q leva um certo tempo para ir de q a Q, sendo que neste intervalo de tempo a carga q locomove-se de uma distãncia d relacionada a sua velocidade v. Figura: Q L P' q q P -------> v -------> v t' t Legenda da Figura: P = posição da carga "q" num instante t em relação a um referencial inercial onde a carga q viaja a uma velocidade v constante e no qual o observador (e/ou a carga Q) está em repouso em L. P' = posição da carga q num instante retardado t' no qual o campo que chega a Q, no instante t, foi gerado. Em virtude disso eu não posso utilizar os potenciais eletromagnéticos clássicos de repouso para calcular os campos E e B no tempo t como se a carga estivesse em repouso em P. Ou seja, deve-se calcular o potencial em L no instante t (a agir sobre Q) como sendo aquele gerado pela carga em movimento quando ela estava num ponto P' e tal que a informação eletromagética, viajando à velocidade c, chegou em L no momento em que a carga "q" chegou em P. Como é um potencial gerado num tempo passado, costuma-se dizer que é um potencial retardado. É este potencial, corrigido de um fator relativístico, que deve ser levado em consideração ao pensarmos em campos elétrico e magnético. A correção relativística é do tipo daquela utilizada na relatividade de Einstein, ainda que clássica em origem (não vai contra o senso comum). Esta correção, em princípio lógica e irreprimível é, em teoria, tanto mais válida quanto menor for a carga, aproximando-se de uma carga puntiforme (ou de um elemento de volume de um "fluido elétrico"). Ao pensarmos numa carga extensa deveria-se creditar outras correções clássicas relacionadas a "aparentes" deformações geométricas da carga, pois os fatores de correção seriam diferentes de ponto a ponto da carga macroscópica. Essa segunda correção não é levada em consideração pela teoria da relatividade, o que provoca conseqüências funestas, tais como a "aparente" deformação ou curvatura do espaço. O erro mais absurdo, dentre os que estão sendo cometidos nestas considerações relativísticas ingênuas (existem outros) é assumir que para uma carga em movimento seria válida aquela idéia de que a carga macroscópica pode ser considerada como puntiforme, sem se dar conta de que o centro de massa (ou de carga, no caso), desloca-se de sua posição real por um efeito relativístico clássico e previsível pela relatividade galileana associada à geometria euclideana. Além desses erros absurdos, não consigo entender como, a partir dos estudos geniais de Lienard e Wiechert, ninguém pensou em estender essa idéia para os potenciais gravitacionais. Fizessem isso, e calculassem- se os potenciais corretamente, chegaríamos a uma relatividade perfeita e totalmente clássica, sem necessidade alguma dos famosos fantasmas a irem contra o senso comum (curvatura do espaço, dilatação do tempo, transformação matéria-energia, etc). E haveria ainda uma compatibilidade total entre os referenciais da mecânica newtoniana e os referenciais da teoria eletromagnética. Não obstante, e ainda hoje, prevalece a idéia de "ação instantânea à distância para a gravitação" associada a uma correção relativística parcial deste efeito tão somente para o eletromagnetismo. Conseqüência: os referenciais de ambas as teorias são incompatíveis, como seria de se esperar. E as famosas e absurdas correções relativísticas surgem como um remédio paliativo a amenizar o sofrimento da física moderna que jaz em seu leito à espera do golpe de misericórdia. [ ]'s Alberto http://www.ecientificocultural.com/indice.htm Sent via Deja.com http://www.deja.com/ Before you buy.