Diálogo Ciencialist - Thread "Calor específico e física clássica" - Novembro de 2001
To: ciencialist (Msg 11955)
From: "Alberto Mesquita Filho"
Date: Fri, 23 Nov 2001 16:05:27 -0200
Subject: Re: [ciencialist] Re: Calor especifico e fisica classica
> > Perceba então que para ser contra a mecânica quântica eu nem
> > precisaria conhecer a mecânica quântica, seria suficiente conhecer o
> > terreno onde ela foi construída.
> Yoohhh... ai é que o ponto bate. Convido-te a olhar o site (de químicos) sobre MQ.
> <http://zopyros.ccqc.uga.edu/lec_top/quantrev/quantrev.html>
> Lá tem os postulados da Mecânica Quântica de Hoje.
> Não uma qq mecânica quântica.
Sim, mas são todos postulados construídos no terreno que apontei. "Desse
mato não sai coelho" e a tolerância com a incapacidade inerente à MQ já está
se transformando numa rotina. Modifica-se o perfume mas conserva-se a essência,
para não dizer que mudam as moscas mas...
. Por outro lado, já disse: Sou um
cientista amador e não compromissado com qualquer tipo de academicismo, pelo
menos no setor da física. Por ser um cientista amador, posto-me frente a uma
teoria como o indivíduo que vai comprar um apartamento. Se o alicerce do prédio
estiver comprometido, nem me dou ao luxo de examinar o apartamento, por mais que
contenha todos os requintes que gostaria que tivesse. Pois a mecânica quântica é
isso: um magnífico apartamento repleto de luxúrias inenarráveis e construído num
prédio prestes a desabar. Quem viver verá.
> Eu gostaria que me dissesses qual daqueles não se pode aceitar clássicamente.
Podes aceitar todos. Eu nem me dou ao luxo de criticá-los pois todos já
sabem o que penso sobre cada um, e com isso só consegui fazer inimigos entre
os fanáticos defensores da MQ. Minha única preocupação, no momento, é
entender como uma coisa que apóia-se em cima de erros crassos pode redundar
em algo que ÀS VEZES dá certo. Volto a dizer: o problema reside na
essência, no terreno e nos alicerces. E essa essência não está nos
princípios, mas na interpretação errada das experiências que os justificam;
e quanto a isso creio que já me expus demais e portanto não digo mais nada.
Assistirei o desabamento de camarote e com a consciência tranqüila.
> Daqui que isso que dizes de "nem precisaria conhecer a mecânica
> quântica, seria suficiente conhecer o terreno
> onde ela foi construída." não é sequer um principio lógico.
Sim, mas já debatemos esse assunto quando concluímos que vemos a física por
perspectivas diferentes.
> > Mesmo porque, os fluidos biológicos não são, via de regra, fluidos
> > newtonianos (no sentido em que não se sujeitam às simplificações newtonianas).
> Não entendi o que queres dizer com isto. A Mecânica de Fluidos pode ser clássica
> e relativista. Falando da Clássica, ela assenta nas leis de Newton. Portanto,
> de que simplificações falas que não se podem usar? (Os fluidos biológicos são
> descritos por mecânica relativista de fluidos?)
Não, a coisa é bem mais simples. O que chamamos "fluido newtoniano" é uma
simplificação ideal e esta simplificação dá certo para a maioria dos
fluidos. Idealizações são coisas muito comuns como, por exemplo, quando
dizemos que uma corda tem massa desprezível, ou que o atrito entre duas
superfícies é nulo, etc. Pois com a maioria dos fluidos comuns podemos fazer
certas simplificações, via de regra relacionadas a viscosidade, e que não
podemos expandir para outros como, por exemplo, o plasma sanguíneo, que é um
tipo de fluido não newtoniano. Isso não tem nada a ver com as leis de
Newton. Só faltava essa: Estudar o plasma sanguíneo sob o prisma da
relatividade de Einstein!!! 
Sobre o ET e o átomo - Modelos e Realidade
> > Não, mas estou a supor que ele chegaria à mesma realidade a que
> > chegamos, independentemente dos passos que viesse a dar.
> A realidade a que chegamos é uma realidade física.
> Esta realidade física é construída (o constructo máximo) por nós.
> Quer fisicamente, sociologicamente e historicamente, num sistema
> complexo. Portanto, dizer que eles construiriam a mesma realidade física é
> ser muito optimista. Pq nenhum de nós construirá a realidade como ela é.
Mas também já concluímos que, sob esse aspecto, vemos a física sob prismas
diferentes. E já reconheci que sou otimista
. E não concordo que nenhum
dos físicos que fizeram a história da física tenham "construído" o átomo, da
forma como propões. Quando muito, eles descobriram o átomo, algo que existe
na natureza. Da maneira como encaro a física, o átomo é uma entidade 100%
natural e, portanto, dotado de uma realidade física, ainda que nos esconda
segredos de natureza metafísica.
A física está aí para ser descoberta, nunca para ser inventada. E esse foi
um dos grandes erros cometidos pelos físicos do século XX, a começar por
Einstein que gostava de expressar essa idiossincrasia. Aliás, pelo que
conheço de Einstein, a quem admiro muito, creio que esse "inventar", que
dizem ser dele, parece-me ser erro de tradução. Os constructos, que com
freqüência cito, são grandezas lógicas e/ou matemáticas, construídas com a
finalidade de representar a natureza; sob esse aspecto, o átomo não se
enquadraria nesta categoria. Sim, eu posso "construir" um modelo para o
átomo, mas não posso "inventar" o átomo. E esse modelo deve representar uma
realidade, do contrário estará condenado ao fracasso.
> > Mesmo porque podemos chegar
> > ao atomismo por uma infinidade de experiências diferentes, e
> > nenhuma chega a negar a outra em seus fundamentos.
> A questão era exactamente, que embora possamos chegar lá de diversas
> formas, nós não temos de necessariamente passar por ela.
Mas... se existe um ponto de chegada...!!! Então não houve uma "invenção",
mas sim uma descoberta. Bem, você não disse inventar (essa "seria" de
Einstein) mas sim construir. Mas parece-me que o seu "construir" não está
muito longe do "inventar" e/ou do critério da tentativa e erro, haja vista
que você parece não valorizar adequadamente o terreno (e/ou os alicerces)
onde os modelos devem ser construídos, dando maior ênfase aos
resultados.
> > > ...a realidade pura, essa é imutável. Se não o fosse era inútil tentar
> > > procurá-la.
> > Bem, então concordas comigo que podemos pelo menos tentar procurá-la.
> > Mas... a quem cabe procurá-la? Apenas os filósofos? Porque não os físicos?
> A todos, não? Quem pode ser físico sem ser filósofo?
Boa pergunta. Aliás, essa é uma das "brigas" que já enfrentei aqui na
Ciencialist, pois muitos não concordam com essa idéia. Mas parece-me que as
coisas estão mudando e os "inimigos" da filosofia estão ficando dia a dia
mais tolerantes.
> Então a física barata (se diz isso ai?)
Faz sentido, mas não creio que seja uma expressão utilizada aqui. Nós
estamos no terceiro mundo e uma das regras do terceiro mundo é não fazer
nada barato.
. Pobre gosta mesmo é de gastar. 
> > > Se a física newtoniana está bem estabelecida. Então agora, como evolui
> > > a ciência? Ela deve procurar o q? Usar a Física de Newton em todos os
> > > casos e procurar um onde não dê certo?
> > Este foi o grande erro cometido por alguns físicos do século XIX, o
> > de achar que a física newtoniana estava bem estabelecida. Não, a física
> > newtoniana ainda é, até hoje, uma teoria incompleta
> Hei!, foste tu que no mail anterior me disseste que ela estava bem
> estabelecida, quando eu pedi um exemplo de algo "bem estabelecido".
> Agora dizes que não está....
. A bronca procede. Não obstante, espero ter utilizado a expressão
"bem estabelecida" em dois contextos diferentes. No caso atual, estou
tentando reafirmar o que já disse mais de uma vez desde que iniciamos o
debate, qual seja, que a teoria newtoniana é uma teoria incompleta. Está aí
faltando pelo menos um postulado ou princípio, e Newton demonstrou estar
perfeitamente ciente disso. Se é incompleta, SOB ESSE ASPECTO não está ainda
bem estabelecida. Por outro lado, no outro caso pretendi dizer que a teoria
newtoniana é "bem estabelecida" no sentido em que os princípios em que ela
foi construída permanecem válidos até hoje, resistiram a mais de 300 anos
de investigação e em hipótese alguma foram falseados, por mais que se afirme
o contrário (e lembro que nosso diálogo começou com a crítica de autores
de livros didáticos que propugnam essa falseabilidade).
Qualquer teorizador sabe que não se mexe nos pilares de uma teoria sob o
risco de se despersonalizá-la totalmente. Aliás, este foi o motivo do duelo
entre Einstein e Bohr. No caso da mecânica quântica, Einstein queria mexer
nos princípios e Bohr, muito sabiamente, decretou a completude da teoria
quântica. Em outras palavras, ele assumiu que ou ela estaria completa, ou
ela não serviria para nada, e foi por isso que defendeu com unhas e dentes
essa completude. O problema de se existiriam variáveis escondidas ou não,
parece-me que para Bohr era secundário. E, com efeito, chegou-se a
descobrir, para surpresa de alguns matemáticos que diziam o contrário,
algumas variáveis escondidas e que não abalaram os pilares da teoria
(nêutron, antimatéria, neutrino, etc).
A teoria de Newton, por outro lado, foi construída por um excelente
teorizador e que talvez intuitivamente, talvez por conhecimento, não se
aventurou a "construir" princípios que não pudesse justificar adequadamente
pela lógica a apoiar-se na experimentação. É nesse sentido que ele afirmou
"Não faço hipóteses", pois no sentido que se dá hoje ao termo hipótese não
creio ter nascido um cientista que tenha feito mais hipóteses do que Newton.
Graças a esse cuidado sua teoria está incompleta, mas os princípios
prestam-se a se imiscuir com novos princípios, sem que isso desfigure a
física newtoniana propriamente dita. Aliás, já disse isso de maneira
diferente: existe um modelo newtoniano (com três princípios) e um cenário
onde se encaixa esse modelo (espaço, tempo, matéria, movimento e
informação). Modelo + cenário = física newtoniana, uma física incompleta sob
o aspecto axiomático mas, apesar disso, e sob o aspecto estrutural,
muitíssimo bem estabelecida. Pois nem mesmo o cenário tem o que mudar,
apenas admite a existência de fenômenos a serem descobertos e/ou explicados.
E isso foi expresso da seguinte maneira: "And therefore I scruple not to
propose the Principles of Motion above-mention'd, they being of very general
Extent, and leave their Causes to be found out"; o que tem sido traduzido
por: "E, portanto, não tenho escrúpulos em propor os princípios de movimento
acima mencionados, sendo eles de uma extensão muito geral, e deixar suas
causas serem descobertas."
> No meio desta historia Dirac lá conseguir sacar do mar as anti-
> particulas... Fastástico.
Existe um pouco de fantasia nessa história. Já ouvi dizerem também que fomos
à Lua utilizando a "teoria" de Julio Verne.
Sim, Dirac previu alguma
coisa, mas daí a dizer que ele previu a antimatéria é querer promovê-lo
demais, e nem mesmo ele assumiu isso (no momento não tenho a referência mas
já li uma conferência onde ele expõe esse problema); e faz parte da lavagem
cerebral a que me refiro com freqüência. Querem valorizar a MQ sob todos os
aspectos e isso só tem uma explicativa: Os que assim agem não confiam
suficientemente na MQ, e Freud explica muito bem esse fenômeno. Eu diria que
isso faz parte do princípio do fim. A MQ está despencando sob todos os
pontos de vista e aqueles que passaram toda uma vida estudando-a, não sabem
mais o que fazer para salvá-la, então começam a cultivar ídolos de barro. É
triste, mas essa é a realidade.
> > Newton simplesmente utilizou-se de uma aproximação válida para a resolução
> > de problemas que o preocuparam na época, mas não generalizou essa aproximação.
> Ora exactamente... então, a física que ele fez, é a física de Newton. E dentro
> da física que ele fez, ele assume a instantanedade. Ainda que em aproximação.
Você está confundindo idealização com "aceitação de uma aproximação como
sendo absolutamente correta". Não, idealização foi algo descrito pela
primeira vez creio que por Galileu (ausência de atrito) e vale na prática,
mas em hipótese alguma é algo a incorporar-se à teoria. Isso seria
confundir teoria com prática. Houve um jornalista-economista brasileiro que
notabilizou-se por uma frase que proferiu: "Na prática a teoria é outra".
Essa frase está errada!!! O problema é que na prática despreza-se parte da
teoria e fica-se com a impressão que a teoria é outra. Na prática
idealiza-se e, de Galileu a Einstein, já se efetuou isso milhares de vezes,
e quase sempre sem grandes problemas de ordem operacional. Todo professor de
física faz isso com todas as teorias, quando vai calcular algo onde sabe que
pode desprezar alguns requintes teóricos. Ou seja, para calcular a órbita da
Terra ao redor do Sol podemos desprezar a não instantaneidade da ação; não
obstante, faça isso com aquele probleminha relativo ao periélio de Mercúrio
e você perceberá que a "física clássica na visão de um físico moderno" não
funciona. Mas não funciona porque a resolução do problema está errada,
porque este problema não comporta a idealização adotada. Newton não previu
esse efeito (desvio do periélio) mas é suficiente ler "toda" a sua obra para
perceber que ele acreditava que algo semelhante poderia ocorrer em algumas
circunstâncias.
Essa história da física newtoniana comportar a ação a distância como algo a
ocorrer instantaneamente é uma falácia que chegou a ser comentada por
Maxwell, no final de seu tratado sobre eletromagnetismo (capítulo XXIII,
Theories of action at a distance), como dogma de Cotes. Harman,P.M., por
exemplo, em seu "The Natural Philosophy of J.C. Maxwell" faz o seguinte
comentário sobre o pensamento de Maxwell: "He maintains that the supposition
of a medium in which energy is propagated is consistent with Newton's
doctrines, pointing out that it was Roger Cotes, in his preface to the
second edition of Newton's Principia, who was the author of the opinion that
'action at a distance is one of the primary properties of matter, and that
no explanation can be more intelligible than this fact'. In the Treatise
Maxwell describes this non-Newtonian doctrine as the 'dogma of Cotes'; and
in February 1873 he refers to Cotes as 'one of the earliest heretics bred in
the bosom of Newtonianism'. In his lecture on 'Action at a distance' he
firmly declares that 'the doctrine of direct action at a distance cannot
claim for its author the discoverer of universal gravitation'."
Preciso dizer mais alguma coisa a respeito?
> > Quando os matemáticos criaram os
> > demais formalismos, continuaram a efetuar a aproximação preconizada
> > por Newton, e que dá certo na grande maioria dos casos. Mesmo porque,
> > isso simplifica sobremaneira o formalismo (não creio que, do contrário,
> > a coisa se resolvesse apenas com a introdução de um fator k, como você
> > propõe).
> Olhando para
> <http://world.std.com/~sweetser/quaternions/qindex/qindex.html>
> A coisa parece bem simples de matematizar. E o curioso é ver a
> diferença entre a mat. da Relatividade e da MQ.
> Intrinsecamente diferentes (por 1 sinal
)
Grato pela referência mas o assunto é muito extenso e vou deixar para outra
ocasião. De qualquer maneira, relendo o que escrevi noto um certo ar de
ingenuidade matemática de minha parte. Pois introduzir um fator k muitas
vezes significa muita coisa e nem sempre é algo tão simples quanto dei a
entender. De qualquer forma, quis chamar a atenção para a não simplicidade
do processo e mantenho a idéia.
> > O problema é que em determinadas condições a aproximação não se
> > justifica, e percebe-se que as coisas se complicam bastante.
> Mas Newton não deu nenhum deles. Ou deu?
Não mas dizem que ele demorou cerca de 15 anos para publicar os Principia,
pois estava ciente de que deveria exemplificar coisas como, por exemplo,
essa não instantaneidade. E só publicou graças à insistência de seu amigo
Halley, que parece ter financiado o projeto. Hoje sabemos em que condições
não podemos desprezar a não instantaneidade, mas com a tecnologia do século
XVII não daria nem para sonhar com efeitos desse calibre.
> > Consigo então, com um único campo vetorial A (ou, de maneira
> > equivalente, com um campo escalar f) dizer que os efeitos elétricos
> > seriam conseqüentes à aplicação do translacional sobre A
> Com um único campo explicas o efeito electrico.
> E olhando bem, nem precisas de falar de electrões, mas desse campo.
> Então tudo isto é uma teoria de campo. E é exactamente igual à de
> Maxwell sobre o aspecto daquilo que é o objecto do estudo. O Campo.
> Então estás a usar a mesma "mecânica dos fluidos" que ele.
> E eu me pergunto se não era suposto, não ser assim...
Sim e não. A teoria de Maxwell tem quatro equações irredutíveis. A minha tem
apenas uma. A de Maxwell tem dois potenciais A e f irredutíveis. A
minha tem um vetor campo A que não é potencial no sentido de que não pode
ser calibrado e que pode ser pensado como um campo escalar f a gerar A
quando multiplicado por um vetor w que representaria estruturalmente o
elétron. A minha teoria é microcósmica e a de Maxwell é válida para o
macrocosmo. Seria o mesmo que aplicar a mecânica dos fluidos para os gases e
tentar compará-la com a teoria cinética dos gases. Numa delas, utiliza-se
elementos infinitesimais de volume; na outra moléculas. Em resumo: existem
muito mais diferenças do que semelhanças entre a minha teoria e a de
Maxwell, ainda que eu consiga deduzir inúmeros aspectos desta última a
partir da primeira e, portanto, os dois modelos não se incompatibilizam
entre si.
> > > > Gosto não se discute. Mas daí a dizer que a MQ tem sido útil
> > > > para alguma coisa vai uma distância muito grande.
> > > Não entendo. Então ela não foi útil para saber os valores
> > > energéticos, os níveis orbitais, e toda essa tralha, dos átomos?
> > > Acaso a quimica de hoje não é entendia com base nessa! fisica?
> > > Se não for assim, fui mais uma vez engando...
> > (...) Se explicar através de
> > gnomos é ser útil, então não está mais aqui quem falou. Mas que se deixe
> > bem claro, especialmente para os jovens universitários, que esta é a
> > única virtude comprovada da MQ. E que se apontem também as suas falhas e
> > que são muitas.
> A única? Então e as anti partículas?
> Já agora, qual é visão clássica, disso? (partículas- anti partículas)
Anti partículas foram descobertas por volta de 1930. A visão clássica foi
colocada na gaveta por Lorentz e no século XX ninguém tentou explicar nada
utilizando a visão clássica. A visão quântica, por outro lado, consegue
"explicar muito bem" (sic) o que são anti partículas. O problema surge
quando ela tenta explicar o que são partículas
. E a partir daí ninguém
entende mais nada e não sou apenas eu a dizer isso: "E tenho de confessar
que, quanto mais eu estudo teoria quântica, menos eu a entendo (Alan
Sokal)." Mas... se explicar através de gnomos é ser útil, então não está
mais aqui quem falou. 
Física clássica e velocidade infinita
> Mas eu não disse que tinha de ser nesse sentido.
> Eu falei em velocidade máxima da informação. No sentido de velocidade
> finita. Onde, no trabalho de Newton ele usou isso?
Na prática ou em teoria? Lembro que Newton desenvolveu sua teoria no século
XVII. Digamos então que ele tenha utilizado para explicar a refração da luz.
E, a partir dessa sua explicação, para justificar o que hoje denomina-se, a
partir de uma interpretação errada, efeito túnel. Utilizando as palavras de
Newton (Questão 17, Óptica III): "And do they not overtake the Rays of
Light, and by overtaking them successively, do they not put them into the
Fits of easy Reflexion and easy Transmission described above?" Ora, se isso
que você chama informação tivesse, para Newton, velocidade infinita, essas
"informações" não precisariam "alcançar" os raios de luz, pois o efeito
seria instantâneo.
> Se nunca usou, pq não podemos dizer que a física feita de Newton
> assume a velocidade infinita?
Simplesmente porque isso retrata um erro crasso. A física newtoniana jamais,
jamais, jamais, jamais, jamais assumiu velocidade infinita para nada, a não
ser para a propagação deste erro entre os seus falsos seguidores que não
tiveram, "em questões filosóficas, competente faculdade de pensar".
> Embora ele sendo consciente de ser finita, ele nunca usou isso em lado
> nenhum. E do ponto de vista do observador, a física dele não trata esse
> aspecto da realidade, que ele mesmo, sabia existir.
> Então a teoria era incompleta pq ele próprio a fez assim.
A teoria era incompleta mas não por este fator. Por este fator ela mostrou
sujeitar-se a idealizações do mesmo tipo daquelas que fazemos ao "eliminar"
o atrito, ou a massa de uma corda, ou no estudo dos gases ideais, etc.
Idealizações são artifícios válidos para casos específicos. E acho mesmo
incrível que alguém, no século XVII, de posse de dados experimentais mais do
que comprovados, defendesse com tanta veemência a não instantaneidade da
ação, a aparentemente contradizer a experimentação. Algo praticamente
impossível de se prever, pelo menos em mecânica (mas não em Óptica), com a
tecnologia da época. Mas algo perfeitamente possível de ser previsto por
alguém que "em questões filosóficas", possuísse "competente faculdade de
pensar".
> Quanto mais perturbações existirem no meio, menor será a velocidade.
> então num meio sem perturbação alguma ela será máxima.
> No caso da luz esse máximo dá-se no vácuo.
> E é isto o principio de máximo da velocidade da luz.
Para criticar Newton, o mínimo que deveríamos fazer seria nos colocarmos na
posição dele. Para Newton a luz era corpuscular, logo o vácuo ou o "aether"
podem ser deixados de lado nestas considerações. Por outro lado, ele assumia
também que a luz acompanhava-se do que chamava "espírito da matéria" ou
vibrações emitidas pelos corpos e a viajarem juntamente com os corpúsculos e
também em condições de exercerem efeitos sobre esses corpúsculos. Sim,
existe alguma fantasia nessa história toda, mas lembro que isto foi para a
gaveta há mais de 200 anos, antes mesmo de terem engavetado a mecânica de
newtoniana.
> > Por outro lado, se você me perguntar qual é a velocidade com que uma
> > partícula, presente num meio que transporta o som, emite a
> > informação que fará a sua vizinha mais próxima entrar em vibração, aí
> > sim diria que será algo da ordem de c. Seria esta o que chamas
> > velocidade de informação?
> Sim. Algo desse tipo. O exemplo mais simples é este.
> Duas cargas, separadas por uma distância d.
> Em certo instante, uma move-se e volta ao ponto em que estava , num
> movimento "rápido" Como é que a outra partícula sente, se sentir, essa
> mudança de posição da primeira carga? Pelo transporte de informação. A
> informação é então criada pela alteração do estado presente / estacionário
> do sistema. A questão para Einstein, foi: E por onde se propaga a
> informação que liga as cargas? Pelo campo electromagnético.
> Então esse pequeno "ups" de uma carga, cria uma perturbação no campo.
> Essa perturbação propaga-se à velocidade do campo EM, nesse meio, até à 2ª
> carga. Pelas eq de Maxwell essa "perturbação" é um fotão. E dai a mediação
> electomagnética é feita por fotões. E pelas mesmas eq essa velocidade é
> constante qq que seja o caso. E então c e´ invariante.
> Tudo isto é muito clássico a meu ver. Ou não?
Aparentemente sim mas não existem situações meio clássicas. Ou se é clássico
ou se não é. Na hora em que você fala em fóton e/ou interpreta o fóton com o
sentido dado a ele por Einstein (efeito fotoelétrico), o teor clássico da
idéia vai por água abaixo. Aliás, essa é uma verdade que a grande maioria
dos físicos modernos não se dá conta e foi essa uma das virtudes que apontei
em Bohr, a de perceber que uma pequena e insignificante diferença pode
comprometer toda uma teoria. Via de regra, há os que afirmam que Einstein
era clássico, pois combateu o princípio da incerteza (Hawking pensa desta
forma). Digamos então que ele seja um "clássico na visão de um físico
moderno", jamais na visão de um físico clássico.
> O problema está nas eq de Maxwel... mas elas derivam de trabalhos
> experimentais de muita gente. Então, pq duvidar delas?
Mas eu nunca duvidei das equações de Maxwell. Simplesmente sou contra a
generalização efetuada por Lorentz muitos anos após a morte de Maxwell.
Mesmo porque essas generalizações não se apóiam em nenhum dado experimental
fidedigno. Essas idéias de Lorentz vingaram na física por decreto e sob o
clima da autoridade de Lorentz e Cia Ltda. Não posso duvidar de uma
experiência que não existe. As experiências que existem deixam claro que o
elétron de Lorentz é ficção científica e sobre esta ficção construiu-se a
física dos gnomos.
>> "Não existe uma velocidade máxima no
> > sentido relativístico (de Einstein) que se dá ao termo."
> As eq de Maxwell dizem que sim... o pensamento por detrás é puramente
> clássico.
Pois é um classicismo deturpado e não assumido por Maxwell como tal, mas por
seus maus seguidores. O que penso a respeito está em O espaço curvo
euclidiano e a relatividade galileana, em meu site.
> > Você está me "proibindo" de examinar a vara por outras experiências que
> > não aquela que apenas mostra a sua sombra.
> Sim. Estou impedindo nessa situação.
> A forma de aceder aos átomos é via campo magnético. (o que implica em
> direcção privilegiada e em 'sombra')
> Mas se me deres um "sonar" para átomos, eu aceito...onde está ele?
Na experiência de Rutherford, dentre outras.
> Eu não vejo pq ele o tenha de fazer. Donde ele tirava essa energia?
Pergunte para o Lorentz. Afinal, essa idéia apóia-se no seu decreto.
> Hoje eu me lembrei que fiz uma experiência com um canhão de electões e umas bobines
> de Helmoltz. E lembrei-me que tínhamos uma globo de vidro com gás lá dentro para
> podermos observar o percurso dos electrões. Fiquei a saber que experimentalmente
> isso era necessário pq os electões só por si, não irradiariam. Ou não irradiariam
> no campo visível. A duvida nascida aqui, fica até eu encontrar qual seria o c.d.o da
> suposta radiação emitida pelo electrão. Alguem sabe?
Sei. Abandone a idéia do elétron de Lorentz e todos os gnomos relativistas e/ou
quânticos se esfacelarão, incluindo este.
> > Que fazer então? Continuar com a idéia de vibrações? Aceitar as órbitas permitidas?
> Que tal matar essa teoria que diz que ele irradia?
> Foi o que Bohr fez. Embora como um postulado.
Então ele não matou mas... Não vou dizer pois prometi para mim mesmo que não
ia mais falar no tapete, mas você está me provocando
. Você pode
realmente matar essa teoria abandonando a idéia do elétron de Lorentz.
[ ]'s
Alberto