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Introdução à físico-química das soluções
2a. parte

Alberto Mesquita Filho

Índice deste artigo

 

A-3 DEFINIÇÃO DE ESTADO DE UM SISTEMA

Um sistema físico-químico é a parte do universo cujas propriedades físico-químicas estão sob investigação. Um sistema tem um estado definido quando cada uma das suas propriedades têm um valor definido. A solução constituída pelas substâncias A e B dispersas em um solvente S (figura 2) estará definida com o conhecimento do número de moles de A, B e S, da pressão e da temperatura. As demais propriedades e variáveis de estado têm um valor definido, podendo ser obtidas (vide tabela 1 abaixo) através de equações matemáticas de definição das variáveis e/ou de relações empíricas bem conhecidas entre as propriedades de estado (estudos anteriores) e/ou de tabelas especializadas fornecendo estas relações.

 


Dados: 

1- Constituintes do sistema (figura 1): A, B e S
2- Numero de moles de A, B e S: nA, nB, nS
3- Pressão e temperatura


Calcular: cA, cB, cS e V (c = concentração molar)

.
V  =  V +  VB  +  V                      (*)

Conhecendo-se os constituintes do sistema (1), pode-se obter através de tabelas especializadas suas respectivas densidades (d) para a pressão e temperatura desejadas (3). E como d = m/V:

.
.

.
(*)  
VA e VB geralmente são desprezíveis

Tabela 1: Cálculo das demais variáveis de um sistema conhecendo-se o número
de moles das substâncias constituintes do mesmo.

 

Ao invés do número de moles, o sistema da figura 2 poderia ser definido através das concentrações molares; neste caso, conhecendo-se a concentração molar de nSQ-1 substâncias, a concentração molar da substância restante será igual ao número de moles da mesma necessário para completar a unidade de volume da solução. A descrição completa do sistema requer no entanto a especificação do volume total do mesmo, assim como a natureza química da substância restante (tabela 2 - abaixo). Em cada caso, o número de variáveis químicas independentes é igual ao número de substâncias químicas nSQ.

 


Dados: 

1- Constituintes do sistema (figura 1): A, B e S
2- Concentrações molares: cA e cB
3- Volume do sistema: V
4- Pressão e temperatura


Calcular: nA, nB, nS e cS

 

nA = cAV

Þ .

VS = V - (VA + VB)

nB = cBV

Þ
.
.

 

.
VA e VB geralmente são desprezíveis.

Tabela 2: Cálculo das demais variáveis de um sistema conhecendo as concentrações
molares de n
SQ-1 constituintes e o volume total.

 

É possível, em certos casos, descrever completamente a composição de uma solução através dos caracteres (natureza e concentração, por exemplo) de apenas algumas das substâncias químicas que a constituem. O número de variáveis químicas independentes é então menor do que nSQ e esta discordância deve-se a restrições impostas por fenômenos naturais regidos por leis físico-químicas ou por situações particulares, em que impõe-se a obediência a certos princípios. Torna-se necessário introduzir o conceito de "componentes independentes" ou simplesmente "componentes" de um sistema.

 

Componentes independentes ¾ou simplesmente componentes¾ de um sistema  são os compostos químicos cujos caracteres devem ser especificados a fim de descrever qualitativa e quantitativamente a composição de um sistema homogêneo.

 

Para o sistema da figura 2 o número de componentes é igual ao número de substâncias químicas (nC = nSQ). No estudo dos equilíbrios químicos verificaremos condições em que nC ¹ nSQ.

 

A-4 INTERVALO MATEMÁTICO. FUNÇÕES

"Domínio" de uma variável é o conjunto de valores que ela pode tomar. Exemplo: o domínio de m (m = massa de um sistema) pode ser pensado como igual ao conjunto do produto dos números naturais pela unidade elementar de massa.

Diz-se que uma variável y é função de x se a cada valor do domínio de x corresponder pelo menos um valor do domínio de y. Neste caso, e para explicitar a dependência, escrevemos y = f(x), ou y = g(x), ou y = F(x), ou y = G(x)... simbolizando a função. Exemplos:

  1. A massa de uma substância química A é função do número de moléculas (ou conjuntos de moléculas da mesma). Logo, mA = f(nA). Uma função pode ser expressa analiticamente, graficamente,  ou através de tabelas e nomogramas. A relação entre massa e número de moles para uma dada substância química (mA = MAnA) é uma expressão analítica. A cada valor de nA corresponde um único valor de mA e, portanto, a função é unívoca.

  2. O peso molecular (PM) de uma substância química qualquer é função da massa molecular (mm), ou seja, PM = f(mm). Podemos escrever esta função sob a forma PM = kmm, em que k é uma constante igual a 12/maC (vide eq. 1-4 e definição de PM).

  3. A massa molecular (mm) de uma substância química natural é função de sua fórmula química (FQ) ou mm = g(FQ). O domínio de FQ está limitado pelo universo químico e o valor de mm, ou seja, g(FQ), poderia ser obtido, por exemplo, através de uma tabela especializada que fizesse a correspondência biunívoca entre mm e FQ.

  4. Se PM = f(mm) e mm = g(FQ), segue-se que PM = f[g(FQ)] ou PM = F(FQ). O peso molecular de uma substância química natural é função de sua fórmula química.

  5. A massa m de uma substância química qualquer é função do número de moles e também da molécula-grama (ou peso molecular): m = f(n, M). A equação (1-3) nos fornece a função m = nM. A cada par (n, M) corresponde um único valor de m e portanto a função é unívoca. O exemplo 1 é um caso particular em que fixamos M através da escolha da substância química A. A massa mA é função de uma variável, enquanto m é função de duas variáveis.

 

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